Seis meses atrás deixei meu país pra ter uma experiência que, eu sabia, seria única. Mesmo meses antes eu já imaginava o que podia encontrar aqui, mas era tudo somente uma vaga noção. Só mesmo vivendo pra saber o que é isso. É a viagem da minha vida por milhões de motivos. Cada dia, uma sensação única, uma aventura nova, uma coisa diferente que marcou. Mesmo nos dias mais entediantes (e quem acompanhou isso tudo sabe muito bem do que eu estou falando) fui capaz de aprender, e muito!
Não que isso aqui tenha sido o céu. Acordar todos os dias me sentindo meio intrusa não foi fácil, mas isso eu tirei de letra. A pior parte de tudo foi saber que, não importa o que acontecesse, no fim do dia eu não ia poder chegar em casa e sentir todo o amor do mundo. Pensar que os primeiros 6 meses de namoro foram longe do meu benzinho. Que minha cachorrinha linda já pode ter até esquecido de mim. Sei que perdi momentos extremamente importantes os quais não vou recuperar (desculpa Aline, minha irmãzinha de coração). E, como se já não bastasse, sei que terei mais um tempo pela frente na luta pra entrar na maldita UFMG.
Não que isso tenha sido o inferno, muito longe disso. É lógico que tive momentos difíceis. E como não teria? Nada nessa vida é perfeito e nem poderia ser. No fim das contas, vivi tanta coisa mágica nesse lugar que num consigo imaginar como poderia viver sem isso. Conheci gente de tudo quanto é quanto, pessoas incríveis das quais me lembrarei sempre. Visitei lugares inacreditáveis nos quais o sentimento que tive sou incapaz de descrever. E o aprendizado então… E não falo só do inglês, isso foi só uma parcela, muito importante, mas sim, apenas uma parcela do conhecimento que adquiri vivendo isso aqui. Seis meses vivendo uma língua diferente, em uma cultura estranha e totalmente fora da minha realidade. Ganhei valores que, talvez, jamais fosse ter se não saísse do meu conforto. Agora sei de que sou independente e dependente de carinho. Sei me virar muito bem sozinha, mas não sei viver na solidão, e que brasileiro consegue?
Falando em brasileiro, como não falar o tanto que aprendi a valorizar esse meu país. Não consigo imaginar um jeito melhor de aprender isso. É mais ou menos aquele ditado, a gente só dá valor quando perde. E sou extremamente grata por não ter literalmente perdido. Agora sei que o brasileiro é sim o mais hospitaleiro do mundo, e daí que não somos os mais educados? Somos os mais calorosos. Não somos os mais avançados científica e tecnologicamente falando, mas digo, com toda a certeza, que somos os mais independentes. Só brasileiro é tão despachado pra se virar com tudo. Somos mais maldosos, mas um pouco de malícia não faz mal. Somos extremamente inteligentes, só pela língua já posso dizer isso, inglês é fichinha perto do português. Concordo que são ridículos os preços de eletrônicos, roupas, sapatos, etc. Mas devemos ser gratos pelo preço de tudo o que nos é essencial, comida, água e luz. Comida… aaaah comida… temos a melhor comida do MUNDO e, sim, do mundo! Experimentei aqui as mais diversas culinárias, e NADA se compara ao nosso abençoado arroz e feijão. Hoje eu sei o quanto sou afortunada por ter nascido nesse lugar lindo e cheio de belezas.
Se me perguntarem se me arrependo, a resposta é instantânea, JAMAIS!!! Viver isso aqui foi, pra mim, um marco. O início de uma nova fase, agora eu começo a andar com as minhas próprias pernas, está na hora de seguir um rumo. Mãe, pai, meus eternos agradecimentos por tudo isso que me foi proporcionado. Nunca serei capaz de recompensar nem parte disso. Xande, meu lindo, agradeço por toda a paciência e por fazer tudo isso mais fácil, agora, finalmente entraremos em sincronia (literalmente).
Estou indo embora, mas levo comigo 4 bagagens gigantes de roupas, sapatos, acessórios e muito conhecimento.
Brasil, me aguarde, estou voltando pra casa!





